Andreia sentiu o calor do corpo de Carlos junto ao seu. Os passos ritmados do tango inebriavam-na e sentia-se levitar. Parecia-lhe que, por momentos, não era ela que estava ali, mas uma outra mulher, menos tímida, menos acanhada, mais afirmativa e confiante.
Carlos rodopiava e fazia-a rodopiar sobre si. Dançavam de olhos cerrados, como se o tango houvesse sido criado para ser dançado num céu estrelado. Nem um sinal de hesitação, nenhuma margem de dúvida sobre os limites da pista. Conhecimento total dos limites do corpo. A mão de Carlos roçou o seio de Andreia num gesto natural. Lançou-a para a frente e agarrou-lhe a mão firmemente puxando-a para si. Deixou-se arrastar até ele com a perna esquerda estendida, terminando sensualmente no salto de tacão que ia lambendo o chão. Carlos apertou-a novamente contra si, cuspiu a rosa que tinha entre os dentes e beijou-a apaixonadamente.
Andreia deixou-se embalar docemente pelos lábios carnudos e experientes de Carlos. E sentiu que levitava.
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