Porfírio carregava a arma. Tremia abundantemente e o suor escorria-lhe pela cara e pelo peito. Deixou cair as munições duas vezes antes de conseguir carregar a Glock.
Suspirou, uma, duas, três vezes. Sentia que a sua respiração se ouvia a léguas de distância. Mordeu os lábios e colocou a cabeça fora da porta para espreitar. Uma bala silvou-lhe ao ouvido e, instantaneamente, deixou-se cair. Tacteou e rastejou para trás o quanto pôde, até sentir a parede irregular nas costas.
- Vais morrer! Ouviste, bófia de merda? Vais morrer hoje!
Porque demoram tanto tempo?, pensou e aquilo encheu-lhe a cabeça. Porque não se ouvem as sirenes?
Passos em corrida. Ruidosos. Apressados.
- Mataste-o?
- Ainda não. Está ali atrás.
Já não se lembrava porque fora para a polícia. Percebia agora que não dava para aquilo. Não via como escapar e não sabia como tinha ali parar. Sim, isso. Surpreendera os marginais em pleno tráfico. Dera-lhes caça, avisara o comando, mas quebrara uma regra básica de não entrar no seu território sem reforços. Que estúpido, estúpido, estúpido.
Passos mais próximos. Uma saraivada de balas. Porfírio tenta empunhar a arma e deixa-a cair. Não tem tempo de a apanhar antes do pontapé. Um bota no pescoço que o sufoca, um cano de arma na cabeça.
- Disse-te que te acabavas hoje.
Dois, três tiros que Porfírio já não ouviu. Bandidos atingidos no peito e cabeça.
- Polícia caído. Polícia caído. Precisamos de apoio médico.
- Está morto, chefe.
- Atingido?
O polícia analisou Porfírio.
- Nenhuma marca de bala, mas sem pulsação.
Porfírio não dava para aquilo e morrera de susto.
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