segunda-feira, 9 de julho de 2012

O raposinho

A mãe raposa acariciou o raposinho com o focinho e ficou a olhá-lo mais um pouco com os olhos fundos e ternos que só as mães têm. Aconchegou-lhe mais a caruma para junto do corpo e mirou o borralho com a complacência de quem sente ter a casa em ordem.
O seu dia findara. Longos são os dias de quem tem de prover ao sustento dos filhos. Não há dias frios ou quentes, escuros ou claros, chuvosos ou secos, para quem tem uma boca esfaimada que apaniguar. Nunca se lembrava dos dias em que ela própria definhava para que a cria pudesse morder um pouco de carne. O cansaço de mãe é coisa que só se sente quando a prole está criada ou em dias de abundância em que o bem estar dos filhos permite um descanso mais temporão.
Nesse dia o raposinho comera suficientemente bem para que a fome da mãe pudesse também ser saciada.
Sossegou-se-lhe o coração, encheu-se-lhe a alma dos latidos joviais e juvenis do pequeno raposo, sorriu-se-lhe o focinho com o doce resmorder do raposinho ensonado.
Chegou-lhe o seu corpo quente de mãe, cofiou-lhe o corpo com a cauda e envolveu-o. Descansou por fim.