quinta-feira, 22 de maio de 2014

Divergências

- Parece-me que temos aqui uma divergência importante Sr. Veloso. O que é um problema para si, na minha óptica.
- Mas...
Uma pancada na parte de trás da cabeça fê-lo parar.
- Não lhe dei autorização para me interromper.
Onde ia eu? Sim. Tem um problema sério, parece-me, e não gostaria de estar no seu lugar.
- Mas eu...
Uma outra pancada seca na base da nuca atira-o ao chão com violência. Perdeu noção do espaço tempo por uma dúzia de segundos até sentir dois braços que displicentemente o atiraram novamente para a cadeira. A nuca latejava, mas calou a dor e não se atreveu a gemer sequer.
Dois olhos furiosos e encarniçados fitavam-no a pouco mais de cinco centimetros de distância.
- Se me volta a interromper sai daqui embrulhado neste tapete em direcção à carrinha aqui à porta e despejo-o vivo na etar mais próxima!!
Sentiu a saliva, o hálito e a raiva daquele homem despejada sobre si. Fechou os olhos e retesou-se na cadeira. Não via saída.
- O Sr. Veloso vai sair por aquela porta e vai recuperar a medalha ao palerma a quem a vendeu. Vai-me trazer a medalha até aqui, este prédio, até amanhã. Se amanhã por esta hora a medalha não estiver na minha mão, o Sr. Veloso perderá a sua. Estamos entendidos?
Um olhar assustado deu-lhe a entender que sim.
- Óptimo. JP acompanha o Sr. Veloso até à porta.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Amar Paris

As pernas cruzadas quando sentada denunciavam-na contemplativa. Os longos cabelos loiros brilhavam a espaços e ofuscavam as pessoas nas mesas mais próximas.
Não o sentiu chegar, mas acolheu de bom grado o calor da sua mão nas suas costas. Selou a felicidade com um beijo.
- Pensei que não chegavas.
Breno guardava-lhe a mão na sua. Entrelaçou os seus dedos nos seus.
- Ansiava ver-te.
Tomou-lhe novamente os lábios. Foi atravessado por notas de amoras silvestres e determinação.
- Partimos hoje!
- Como hoje? Não estou preparada? Não tenho mala, nada.
Apertou-lhe mais a mão e olhou-a profundamente.
- Está tudo preparado. Não precisas de nada. Temos avião a seguir ao jantar.
- Mas ...
Dois dedos e um beijo, calaram-na.
- Só tens de te preocupar com uma coisa.
Olhou-o como a uma promessa.
- O quê?
- Amar-me e amar Paris.