- Parece-me que temos aqui uma divergência importante Sr. Veloso. O que é um problema para si, na minha óptica.
- Mas...
Uma pancada na parte de trás da cabeça fê-lo parar.
- Não lhe dei autorização para me interromper.
Onde ia eu? Sim. Tem um problema sério, parece-me, e não gostaria de estar no seu lugar.
- Mas eu...
Uma outra pancada seca na base da nuca atira-o ao chão com violência. Perdeu noção do espaço tempo por uma dúzia de segundos até sentir dois braços que displicentemente o atiraram novamente para a cadeira. A nuca latejava, mas calou a dor e não se atreveu a gemer sequer.
Dois olhos furiosos e encarniçados fitavam-no a pouco mais de cinco centimetros de distância.
- Se me volta a interromper sai daqui embrulhado neste tapete em direcção à carrinha aqui à porta e despejo-o vivo na etar mais próxima!!
Sentiu a saliva, o hálito e a raiva daquele homem despejada sobre si. Fechou os olhos e retesou-se na cadeira. Não via saída.
- O Sr. Veloso vai sair por aquela porta e vai recuperar a medalha ao palerma a quem a vendeu. Vai-me trazer a medalha até aqui, este prédio, até amanhã. Se amanhã por esta hora a medalha não estiver na minha mão, o Sr. Veloso perderá a sua. Estamos entendidos?
Um olhar assustado deu-lhe a entender que sim.
- Óptimo. JP acompanha o Sr. Veloso até à porta.
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