- Que pensas tu disto?
Patrício ficou um pouco a macerar o que tinha ouvido. Engoliu uma primeira hesitação e arrancando novamente disparou:
- Acho que devias levar a situação superiormente. Se tens a certeza que foi ela que... Tens a certeza absoluta, não tens?
- Patrício, tu conheces-me. Não estaria aqui a ter essa conversa contigo se não estivesse certo do que te estou a dizer.
- Acho que não tens outra maneira que não seja reportar a situação. É demasiado grave para que se possa deixar cair o tema.
...
- Eu só acho que o Azevedo não vai encarar isto.
- Tem de encarar. Tem de assumir a resolução da situação. É o chefe de equipa, caramba.
- Ó Patrício, não vai. Não vai, tou-te a dizer.
- Mas como é que não vai? Então a gaja faz uma coisa dessas e o chefe de equipa dela não lhe dá uma desanda? Tem de dar. Tem de assumir se não quem fica mal é ele.
- O tipo tá embeiçado por ela, Patrício.
- Isto vai-se saber. E ele depois não pode dizer que não sabia. E se não sabia devia saber. É o chefe de equipa.
- Patrício, ela vai-lhe dar uma conversa, daquelas melosas, e ele vai-se deixar ir.
- Não pode ser. Não pode.
- Ouve o que te digo, Patrício. Ouve o que te digo...