terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Uiva o Nordeste

Uiva o nordeste!
Fincam-se as raízes terra dentro.
Crescem as pedras debaixo de ti.

Acercam-se os rondistas,
Farejam-te o medo,
Julgam-te fraco.

Chilreiam os piscos dentro de ti,
Sacodem-se os ninhos,
Abrem-se as asas.

Cantam os lobos,
Rosnam-te perto,
Foge-te a lua.

Cruzam-se os ramos
Cerram-se as largas folhas,
Agitam-se as estremas.

Ruge o Nordeste!
Zomba de ti.
Sonha vergar-te.

Empertiga-se o tronco,
Partem-se os ramos frouxos,
Flui a seiva.

Adensa-se a noite,
Pia o mocho,
Agita-se a asa negra do morcego.

Num assomo, inquieta-se o choupo,
Brilha no escuro,
Agiganta-se o tronco.

Estou aqui! Vivo!
Espero por ti. Dá tudo o que tens!
Insano.

Cansa-se o Nordeste...
Cala-se o mocho.
Queda-se o lobo.

Amanhece...

Descansa o choupo.
O sol aquece-lhe o tronco
Sobreviveu ao Nordeste!



sábado, 23 de fevereiro de 2013

O teu coração transborda e faz-se ouvir...
Sei-te viva sem que te toque.
Oa lábios, exuberantes, chamam-me para ti.
Olho-te com uma malícia serena que me invade
A minha mão funde-se na tua cintura
A tua boca acolhe-me, sedenta.
Entregaste-me a alma!


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Hoje não me apetece

Hoje não me apetece escrever...
Quero sair estouvadamente por aí,
lamber as estrelas, rolar num charco como uma cria,
saltar refeições.
Aborrecem-me as etiquetas. Que se lixe a gravata e o sapato imaculado,
Quero borrar a cara, que seja com o teu batom!,
sim, o mais vermelho.
Não quero que me levem a sério,
muito menos que me tomem por sério.
Riam comigo,
Sorvamos gasosa barata como se fosse champanhe,
que voem bolas de papel e trapos pelo ar.
Quero varar a noite contigo à espera da primeira lágrima.
Quero saber a que sabem as tuas.
Espero que saibam a riso.