Uiva o nordeste!
Fincam-se as raízes terra dentro.
Crescem as pedras debaixo de ti.
Acercam-se os rondistas,
Farejam-te o medo,
Julgam-te fraco.
Chilreiam os piscos dentro de ti,
Sacodem-se os ninhos,
Abrem-se as asas.
Cantam os lobos,
Rosnam-te perto,
Foge-te a lua.
Cruzam-se os ramos
Cerram-se as largas folhas,
Agitam-se as estremas.
Ruge o Nordeste!
Zomba de ti.
Sonha vergar-te.
Empertiga-se o tronco,
Partem-se os ramos frouxos,
Flui a seiva.
Adensa-se a noite,
Pia o mocho,
Agita-se a asa negra do morcego.
Num assomo, inquieta-se o choupo,
Brilha no escuro,
Agiganta-se o tronco.
Estou aqui! Vivo!
Espero por ti. Dá tudo o que tens!
Insano.
Cansa-se o Nordeste...
Cala-se o mocho.
Queda-se o lobo.
Amanhece...
Descansa o choupo.
O sol aquece-lhe o tronco
Sobreviveu ao Nordeste!
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