quinta-feira, 6 de junho de 2013

Que sabes tu da vida?...
Tens comido sempre pétalas de rosa
Flores despinhadas, sem engulhos que suportar
Sempre te souberam a mel, puro, das mais altas montanhas. 

Que te trouxe até aqui?
Vieste carregado de sonhos nas costas cansadas de alguém.
Que lhe deste em troca?
Que experiências partilhaste com ele?
Sabes-lhe o nome ao menos?
Respeitás-te-lhe a dor?

Reclamas que a ti também te doi.
Que te foi difícil a jornada.
Os dias são negros para os que roem o pão de ontem
Tu come-lo são. Fresco.

Sorve ao menos a dor dos que te estão próximos.
Dás-lhes um pouco de ti
Que importa que seja a parte menos alegre!
A alegria é um luxo para muitos dos que contigo se cruzam.
Contentar-se-ão em conhecer-te de perfil, mesmo o que menos te favorece.

Escuta o vento!
Traz muitas vozes. Canta em línguas longíquas, algumas já desaparecidas.
O vento Este é sábio. Inunda-te de cheiros das estepes e das tribos dos cavalos selvagens.
Eles são livres e sempre souberam guardar essa liberdade.
Grita-lhes!

Grita! Uiva. Berra quanto podes.
Larga as convenções que te oprimem o peito.
Ousa!
Cresce. Em ti. Para ti.
Supera-te. Vence o finito que és.
Não vivas envergonhado dos outros.

Dá a mão ao que ta estende.
Daí de cima, olhando para baixo, não estás só tu.
Estão deuses e homens, lado a lado. Cansados, lutando.
Entrega a mão a essa mãe. Levanta-a!
Ela carregou-te. Tanto tempo, Senhor. Tanto tempo.

Perde-te no olhar de eterna doçura
Sentes o sabor da terra arenosa onde nasceste.
Uma mão suave dá-te alento, humaniza-te.
Que pensavas saber tu da vida?

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