quinta-feira, 26 de maio de 2011

Uma lágrima de felicidade (Renata)

Renata apreciava o momento em que o filho empunhava, compenetrado, a vela de baptismo que acendia no círio. Não lhe parecia crível que se tivessem passado catorze anos na vida dos dois. Frederico era agora um homem. Alto, encorpado, o maior da família. Mas o que a deixava mais satisfeita era sentir que se tinha tornado num adulto, consciente, responsável, ciente das suas obrigações. Estava satisfeita com a sua obra de educadora.
Parabéns pelo teu filho! Está tão garboso.
Obrigado, Margarida. Estava agora a reflectir nisso mesmo. Enche-me de orgulho.
A vida de Frederico passava-lhe agora pela frente. Era impossível naquele momento não recordar as dificuldades porque Frederico passou para vingar. Uma raríssima mal-formação fê-lo nascer com as pernas e os pés para trás. Foram anos de angústia e sofrimento que só uma mãe pode perceber e suportar. A incerteza e impreparação dos médicos. Mais de uma dezena de operações correctivas, múltiplas sequelas de crescimento e doze anos de fisioterapia moldaram a personalidade de Frederico.
Hoje andava e corria com absoluta normalidade, o que impressionava quem conhecia a sua história. Mas, sobretudo, o que impressionava era a sua absoluta maioridade comportamental, nada própria de quem está no auge da adolescência.
Cerimónia terminada. Um beijo filial. Uma lágrima que rola. Olhares de mãe que se entrecruzam com o olhar do filho.
Obrigado por tudo, Mãe!
Um sorriso embargado por uma lágrima de felicidade.
Estás lindo Frederico!

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