quinta-feira, 29 de novembro de 2012

A ausência (Zita)

Zita adaptou os olhos ao negrume da noite ansiando por um vislumbre de luz na curva. Apertou mais o xaile negro contra as suas costas, cruzou os braços que se entrelaçaram na malha estreita do xaile e fincou os pés no pó. O vento fustigava-lhe as costas, mas Zita não cedia. Os olhos fixos na estrada percrustavam qualquer sinal de movimento, por mais ténue que fosse.
Começou a rodar o pé direito de tão impaciente que estava. Não dava por isso.
O vento entranhou-se-lhe na cabeça e zombava dela.
E se lhe aconteceu alguma coisa? E se lhe aconteceu alguma coisa? Não te apartes dele, Senhor! Rogo-te.
Caminhou dois passos na escuridão em direcção ao caminho. Sabia-lhe já a ausência.

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