sexta-feira, 16 de novembro de 2012

A noite

Acácio fixou o olhar na chama bruxuleante da fogueira e deixou-o repousar por ali. O olhar, quase inerte, deixou-se enfeitiçar subliminarmente pela dança das pequenas chamas azuis que lambiam os grossos troncos de pinho resinoso. O crepitar sonoro e ritmado aportava a dose certa de realismo àquela cena. O cansaço tomara-o violentamente, sacudira-o e atirara-o displicentemente para cima do saco cama.
A floresta piava subtilmente a espaços largos. Acácio não ouvia, mas o resmorder baixinho das folhas secas perto do saco cama chamaram-lhe o suficiente a atenção para desviar tenuemente a cabeça. Uma salamandra, matizes vermelho fogo, passava indiferente à presença de Acácio. Luzia. Admirou-lhe a cabeça oval, olhos salientes, negros carvão. As manchas refulgiam sob a sóbria luz da fogueira.
Fechou os olhos.

Sem comentários:

Enviar um comentário