segunda-feira, 25 de julho de 2011

Os jacintos (Martinho)

Martinho empurrou o carrinho de mão ao longo do canteiro até ao monte de desperdício orgânico. Despejou-o e virou-se mecanicamente para o local de onde havia partido.
Os jacintos floriam neste final de Abril primaveril que indiciava um Maio já de calor crescente.
Parou por um momento, endireitando as costas queixosas. Levou a manga à testa e limpou o suor. Contemplou os jacintos e ficou orgulhoso de si mesmo. Não sabia qual deles arrebatava o seu coração, se os amarelos, se os rosa, se os azuis, se os brancos ou se os roxos.
- Olá Martinho.
Martinho fixou os lábios de Joana e reconheceu a saudação. Olá!, retribuiu abrindo e levantando a mão, enquanto formulava a palavra.
- Estão lindos os jacintos. Maravilhosos.
- Obgado., consegui pronunciar Martinho a custo.
Joana acariciou-lhe o ombro e sorriu. Beijou-o na face e largou um até logo.
Martinho ficou a vê-la partir. Tinha pena de ser surdo.
Mirou novamente os jacintos e agradeceu a Deus a diversidade e o amor.

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