Rúben olhou o estranho com redobrada atenção. A camisa amarrotada e gasta contrastava com um exemplar nó de gravata, ainda que de gosto mais que duvidoso.
Reparou nos laivos de transpiração que os sovacos exibiam e que o estranho tentava disfarçar.
Decidiu experimentá-lo.
- Sabe Paulo que...
- Pedro!
- Perdão?
- Pedro. O meu nome é Pedro Pereira. Chamou-me Paulo.
- Perdoe-me, Pedro. Sabe que, dizia-lhe, as oportunidades com objectos unicos alcançam-nos apenas uma única vez.
- Quer isso dizer que??
- Quer isso dizer que esse prato é, muito provavelmente, pertencente a uma baixela feita a pedido de D. João VI, da qual parcos objectos nos chegaram.
- Que sorte a minha, então.
- Pedro, o objecto será sujeito a um rastreio de autenticidade e legitimidade de posse.
Pedro contorceu-se na cadeira.
- Porque?
- Regras internacionais contra o roubo de obras de arte.
- Isto não é uma obra de arte.
- É-o em certa medida.
Pedro recuperou o prato e saiu apressado sem dizer nada mais. Rúben chamou a policia.
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