Violante sabia que aquele seria um dia de prodígios. Sentia o sangue ferver-lhe nas veias, situação felizmente incomum, mas que sempre revelava que algo extraordinário estaria para suceder.
Aprendera a viver com a sua condição especial desde os treze anos. Ano em que as bruxas se revelam!, contara-lhe a avó, um ano pouco mais que banal, diria mais tarde Violante que se habituara às visões de futuro, do seu e dos outros.
Assomou-se à janela que abriu de par em par. Ouviu indistintamente o ulular uivante da terra. Vinha em crescendo e Violante leu os sinais da desgraça que se abateria sobre a aldeia.
Saiu rapidamente de casa e foi ofegante bater à porta das vizinhas mais próximas.
- Saiam de casa!, gritava insana. Saiam de casa.
Maria José abriu a porta assustada. Violante não lhe deu tempo para respirar e arrastou-a para fora, pela manga da blusa.
- Violante? Que fazes? Ai que me matas!
- Vamos para o largo. As casas não são seguras! A terra vai abanar.
Maria José assustou-se e correu o pouco que podia.
A terra bradava e começou a tremer, chocalhando tudo com violência.
Violante odiava-se de cada vez que o futuro provava a certeza das suas leituras.
- Que peso, meu Deus...
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