quarta-feira, 12 de agosto de 2015
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O calor que exalava do banco de jardim acolheu-lhe as costas e estas acomodaram-se como se sempre ali pertencessem. O livro branco saltou do interior da mala aberta e abriu-se naturalmente na página que a isso estava destinada, como num oráculo. A página encheu-se de risos de crianças que brincavam ao fundo e de guinchos estridentes de baloiços mal oleados. As palavras começaram a mexer-se. Primeiro as que invocavam animais e pessoas, depois as outras, todas. Um conto do tempo em que os animais falavam. Agora dançavam. Bailavam os ursos e os cerdos, os pintassilgos e as doninhas, entrelaçavam-se as papoilas, forrando os campos de vermelhas alcatifas de sonho. Apetecia-lhe mergulhar naquele idílio campestre, mas ficava feliz apenas de poder contemplar. Sabia que as palavras cairiam inertes novamente sobre as páginas brancas tão logo o riso das crianças terminasse. Deixou-se estar.
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Que bom é fugir com o pensamento e as palavras.....!
ResponderEliminarQue gostoso de ler. Filhota
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