O riso inundava a sala a cada dois segundos. Passara já o bacalhau com as couves delicadamente cozidas, doces, que fizera as delícias dos adultos e as agruras dos miúdos. Os catraios suportavam queixosos as poucas couves tronchudas que os obrigavam a comer em troca de um prometido naco de cabrito assado no forno.
A mãe Rosália parou uns segundos a olhar em torno da mesa enquanto todos estavam entretidos com a aprimorada comida ou com a conversa galopante. Adorava ter os seus patinhos, como gostava de lhes chamar, de volta de si. A mesa pejada de filhos e netos enchia-a de orgulho e satisfação.
- Avó. Avó!
Adorava ouvir aquela palavra dita daquela forma doce e expectante.
- Sim, minha querida.
- Queria só dizer-te que está muito bom.
- Obrigado minha querida. Fiz a pensar em todos vocês, meus doces.
- Podemos abrir os presentes a seguir?
- Madalena. Sabes que em casa da avó Rosália os presentes só se abrem amanhã de manhã., lembrou-lhe a mãe.
- Oh, mãe... Avó, não podemos abrir hoje?
- Madalena, querida, primeiro temos de ir à Missa do Galo, depois vais dormir e amanhã de manhãzinha, logo vês o que o menino Jesus te deixou na lareira.
- Oh!
- Anda. Vem comigo à cozinha buscar as filhozes.
- Que seca...
Sem comentários:
Enviar um comentário