terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Duarte

Duarte passeava-se com um cordel na mão direita. Puxava por ele de quando em vez, gesto impregnado de impaciência mais do que de esforço. Uma luz seguia-o, iluminando-lhe os passos e mostrando as irregularidades da calçada gasta.
Passos constantes, equidistantes, sem tremores que evidenciassem hesitação.
- Anda!
Passava pelas pessoas resmordendo coisas para si, coisas que elas não ouviam, porque a sociedade de hoje é surda aos lamentos dos outros.
- Anda. Já te disse para não ficares para trás.
Sentiu-se repentinamente puxado para trás e virou-se. O cordel estacara junto a um lampião.
- Outra vez, César. Em quantos candeeiros tens de urinar?
Uma senhora passava e mirou a cena, mas, baixando os olhos, não parou.

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