"Não queiras vir por aqui."
A interjeição tolhia os demais pensamentos de Isaura, secava-lhe as fontes de raciocínio.
"Não queiras vir por aqui."
A angústia daquela frase, dita em pungente súplica a Isaura, não fizera ainda vinte e quatro horas, tornava definitivo o caminho e irreversível a resolução de Isaura. Faria exactamente o contrário.
- Procuro o Pedro.
O barman olhou-a com interesse. Tomou o seu tempo a amiudá-la.
- Quem quer falar-lhe?
- Isaura.
- Que lhe queres?
- Assunto da rua.
O barman sorriu e olhou-a com redobrado interesse. Saiu pela copa e demorou-se dois minutos. Dois nervosos minutos para Isaura.
Pedro chegou de cara fechada.
- Diz!
- Quero trabalho.
- Pensei que tinhas falado com a idiota da Arlete.
- Falei. Disse-me que não era caminho para mim.
- E estás aqui a fazer o quê, então?
- À procura do que comer.
Pedro riu-se alarvemente da ironia.
- Começas amanhã. Não tolero atrasos. Se me escondes dinheiro, desfiguro-te. As regras são simples e não te tornarei a avisar.
Isaura saiu dali mulher de rua.
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