quarta-feira, 30 de maio de 2012

Esmeralda

As lágrimas corriam a quatro e quatro pela cara de Esmeralda. Sempre teve pouco controlo sobre os seus sentimentos, emocionava-se com facilidade e nunca lhe faltaram pretextos para exteriorizar as suas emoções. Fora despedida uma vez por isso, por um "sacana insensível" como lhe chamava. Ele argumentava que Esmeralda tinha comportamentos pouco condicentes com um local de trabalho. Chorava muito. Muito mais do que permitirão os normativos laborais, pelos vistos.
A razão das suas lágrimas eram um livro. De cordel. Literatura cor de rosa. Uma história cor de rosa, porque de literatura não poderemos falar naquele caso.
Uma história comovente. De arrepiar a espinha. De fazer chorar as pedras da calçada. E se até as pedras choram, quanto mais não chorará Esmeralda que tem a bolsa dos sentimentos no saco lacrimal.
Alzira conhece Romeu no funeral do pai deste. Apaixonam-se de imediato. Olhar miúdo, corpo adulto, imaturos todavia. Intrigas congeminam contra o novel casal. Atordoantes intrigas de vizinhas pouco sérias e muito invejosas. Romeu acredita e dissolve o namoro, num segundo todo o ouro é engolido pelo mercúrio. Mas os deuses do amor cogeminam e cozinham e Alzira e Romeu acabam juntos num estrondoso final de rejubilosa alegria.
Esmeralda adoraria ter vivido um amor assim. Suspirava. E chorava.

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